Imagine descobrir que um aluno cancelou a matrícula apenas quando o sistema financeiro acusa inadimplência há três meses. Ou receber uma solicitação de transferência de um estudante que você acreditava estar plenamente engajado. Identificar evasão precocemente é o desafio crítico das IES: segundo dados do Censo da Educação Superior do INEP, 73% dos alunos que evadem já demonstravam sinais claros de risco 60 dias antes da decisão final, mas apenas 12% das instituições conseguem identificar esses sinais a tempo de intervir efetivamente
Esse fenômeno tem um nome: evasão silenciosa. Diferente do abandono explícito, onde o estudante comunica suas dificuldades ou intenções, a evasão silenciosa é um processo gradual de desengajamento que passa despercebido até ser tarde demais. E é justamente esse desengajamento progressivo que torna possível a identificação precoce e a intervenção preventiva efetiva.
Neste artigo, você descobrirá os 15 principais indicadores que precedem a evasão, aprenderá a diferenciar sinais temporários de riscos reais e conhecerá metodologias práticas para criar um sistema de identificação eficaz na sua instituição.
Por Que Identificar Evasão Silenciosa é Tão Crítico
Identificar evasão no momento certo faz toda a diferença entre reter ou perder um aluno. A evasão silenciosa é o processo gradual de desconexão entre o estudante e a instituição que ocorre sem manifestação explícita de insatisfação ou intenção de saída. Enquanto a evasão tradicional geralmente envolve um comunicado do aluno sobre dificuldades financeiras, insatisfação com o curso ou problemas pessoais, a evasão silenciosa acontece nas sombras.
O aluno em evasão silenciosa não busca a coordenação pedagógica, não reclama da qualidade das aulas, não questiona a grade curricular. Simplesmente vai se distanciando aos poucos: falta uma aula aqui, atrasa uma entrega ali, diminui a interação com colegas, reduz os acessos ao ambiente virtual de aprendizagem. Quando a instituição percebe, o vínculo já está tão fragilizado que qualquer tentativa de reengajamento enfrenta resistência significativa.
Por que a evasão silenciosa é mais perigosa?
A principal diferença está na janela de intervenção. Quando um aluno verbaliza suas dificuldades, a IES tem a oportunidade de agir imediatamente. Na evasão silenciosa, o problema se desenvolve de forma invisível, e quando finalmente se torna óbvio demais para ignorar, o estudante já tomou a decisão mental de sair, mesmo que ainda não tenha formalizado o cancelamento.
Estudos sobre retenção estudantil no ensino superior demonstram que o tempo médio entre os primeiros sinais comportamentais e o cancelamento efetivo é de 45 a 90 dias. Essa janela é preciosa, mas apenas se a instituição tiver mecanismos para identificar os sinais precoces.
Você Sabia? Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), instituições que implementaram sistemas de early warning conseguiram reduzir a evasão em até 35% ao identificar e intervir com alunos em risco antes do desengajamento completo.
Como Identificar Evasão: Os 15 Sinais de Alerta Mais Importantes
Identificar evasão antes que ela se concretize exige atenção a um conjunto diversificado de indicadores. Raramente um único sinal isolado indica risco real de abandono, mas a combinação de múltiplos sinais, especialmente quando persistem ao longo de semanas, forma um padrão claro de desengajamento.
Sinais Comportamentais: Como o Aluno se Afasta Socialmente
1. Queda progressiva na frequência
Não se trata de uma ausência pontual, mas de um padrão crescente. O aluno que tinha 95% de presença no primeiro mês do semestre e agora está em 70%, mesmo sem reprovações diretas, está demonstrando desconexão.
Por que isso importa: A frequência é o indicador mais visível de comprometimento. Quando um estudante deixa de comparecer regularmente, está enviando um sinal claro de que outras prioridades estão tomando o lugar dos estudos.
2. Diminuição de interação com colegas e professores
Observe o aluno que parou de participar de discussões em sala, não faz mais perguntas após as aulas e se isola durante intervalos. O afastamento social precede o afastamento institucional.
Por que isso importa: A integração social é um dos principais fatores de retenção. Alunos conectados à comunidade acadêmica têm redes de apoio que os ajudam a superar dificuldades.
3. Não participação em atividades extracurriculares
Quando um estudante que era ativo em projetos de extensão, grupos de estudo ou eventos institucionais simplesmente desaparece dessas atividades, é um sinal de desengajamento crescente.
Por que isso importa: Atividades extracurriculares demonstram investimento emocional na experiência universitária. O abandono delas sugere que o aluno já não vê valor em permanecer.
4. Mudança no padrão de acesso ao AVA/Moodle
A redução de acessos à plataforma de ensino, especialmente em cursos EAD ou híbridos, é um dos sinais mais confiáveis. Monitorar não apenas a frequência de acesso, mas também o tempo de permanência e a profundidade de navegação (apenas visualizar vs. interagir com materiais).
Por que isso importa: Em ambientes digitais, o acesso é o equivalente à presença física. Menos acessos significam menos engajamento com o conteúdo e com a comunidade de aprendizagem.
5. Isolamento social no campus ou comunidade
O aluno que costumava chegar cedo, ficar na biblioteca ou participar de conversas informais agora chega apenas no horário da aula e sai imediatamente depois, evitando interações.
Por que isso importa: O isolamento social é tanto causa quanto consequência do desengajamento. Alunos isolados têm menos recursos emocionais para enfrentar desafios acadêmicos.
Sinais Acadêmicos: Quando o Desempenho Revela Desconexão
6. Declínio gradual nas notas
Atenção especial para quedas progressivas, não para reprovações súbitas. Um aluno que tinha média 8,5 e agora está em 6,0 pode estar em maior risco do que aquele que sempre teve desempenho mediano.
Por que isso importa: A mudança de padrão indica perda de motivação ou capacidade de dedicação aos estudos, fatores mais preocupantes que dificuldade pontual com um conteúdo específico.
7. Entregas atrasadas crescentes
Não se trata de um trabalho entregue com dois dias de atraso, mas de um padrão de atrasos cada vez mais frequentes e prolongados, ou pior, de trabalhos simplesmente não entregues sem justificativa.
Por que isso importa: Procrastinação crônica e desorganização são sintomas de desmotivação. Quando um aluno deixa de se importar com prazos, está demonstrando desconexão com os resultados acadêmicos.
8. Qualidade decrescente nos trabalhos
Avaliações entregues com esforço visivelmente menor, respostas superficiais, trabalhos copiados ou mal formatados quando antes o aluno demonstrava capricho e dedicação.
Por que isso importa: A redução na qualidade reflete perda de investimento pessoal no aprendizado. O aluno está cumprindo tabela, não mais aprendendo.
9. Não comparecimento a avaliações
Faltar a uma prova sem justificativa prévia é um dos sinais mais graves. Mesmo que o aluno ainda esteja frequentando algumas aulas, a ausência em avaliações indica desistência mental do curso.
Por que isso importa: Avaliações são momentos decisivos do semestre. Evitá-las demonstra que o aluno já não vê sentido em continuar, mesmo que ainda não tenha formalizado a saída.
10. Trancamento de disciplinas
Trancamentos frequentes, especialmente de disciplinas obrigatórias ou fundamentais para o curso, sinalizam dificuldades que vão além de problemas com uma matéria específica.
Por que isso importa: Cada trancamento prolonga o curso e aumenta custos. Acumular trancamentos indica frustração crescente e pode ser o passo anterior ao cancelamento total.
Sinais Administrativos e Financeiros: Quando a Documentação Revela Intenções
11. Histórico de inadimplência
Atrasos recorrentes ou crescentes nas mensalidades, especialmente quando combinados com outros sinais, podem indicar não apenas dificuldade financeira, mas também desvalorização do investimento educacional. Entenda melhor as causas financeiras da evasão estudantil.
Por que isso importa: Quando um aluno prioriza outras despesas sobre a educação, está sinalizando que o curso perdeu importância em sua vida. A inadimplência é frequentemente o último estágio antes do cancelamento formal.
12. Solicitações de transferência de turno ou curso
Pedidos para mudar de período ou migrar para outro curso podem ser tentativas legítimas de ajuste, mas quando frequentes ou sem justificativa clara, revelam insatisfação e instabilidade.
Por que isso importa: Múltiplas tentativas de reorganização acadêmica sem sucesso aumentam a frustração e a probabilidade de abandono total.
13. Não renovação de matrícula nas primeiras semanas
Alunos que deixam para renovar a matrícula nas últimas semanas do prazo ou que precisam de múltiplos lembretes demonstram hesitação em continuar.
Por que isso importa: A procrastinação na renovação de matrícula é um sinal de ambivalência. O aluno está mentalmente avaliando se vale a pena continuar.
14. Não atualização de dados cadastrais
Quando a instituição solicita atualização de informações de contato, documentação ou outras informações cadastrais e o aluno sistematicamente ignora, está demonstrando desconexão.
Por que isso importa: Manter dados atualizados é um compromisso mínimo com a instituição. Ignorar essas solicitações indica falta de comprometimento com a permanência.
15. Procura por informações sobre transferência externa
Consultas à secretaria sobre processos de transferência para outras instituições, pedidos de histórico escolar fora do período normal ou perguntas sobre aproveitamento de créditos são sinais inequívocos de intenção de saída.
Por que isso importa: Este é frequentemente o último sinal antes do cancelamento efetivo. Quando um aluno começa a pesquisar alternativas ativamente, a janela de intervenção está se fechando rapidamente.
Os 3 Sinais Mais Críticos
Se você precisar monitorar apenas três indicadores, priorize:
- Queda progressiva na frequência (comportamental)
- Declínio gradual nas notas (acadêmico)
- Histórico de inadimplência (financeiro)
A combinação desses três sinais tem precisão preditiva superior a 80% quando observada por período de 30 dias ou mais.
A Janela de Oportunidade: Quando Identificar Faz Diferença
Nem toda identificação de risco gera o mesmo resultado. O momento em que a instituição detecta o problema e inicia a intervenção afeta dramaticamente as chances de sucesso na retenção do aluno.
Dados de programas de retenção estudantil em IES brasileiras demonstram um padrão claro sobre quando intervir para evitar evasão:
- Intervenção com 30-60 dias de antecedência: Taxa de sucesso de 65-75%
- Intervenção com 15-30 dias de antecedência: Taxa de sucesso de 35-50%
- Intervenção com menos de 15 dias: Taxa de sucesso de 10-20%
Essa diferença não é coincidência. A janela de 30-60 dias permite que a instituição:
- Compreenda as causas específicas do desengajamento
- Desenvolva estratégias personalizadas de reengajamento
- Mobilize recursos adequados (orientação acadêmica, apoio financeiro, suporte psicológico)
- Acompanhe a evolução do aluno ao longo de semanas, não dias
Quando a identificação acontece tardiamente, a intervenção se resume a tentativas desesperadas de convencer um aluno que já tomou a decisão mental de sair. Nesse estágio, qualquer argumento da instituição soa como tentativa de retenção comercial, não genuína preocupação com o sucesso do estudante.
O ROI da identificação precoce
Considere uma IES com 5.000 alunos, taxa de evasão anual de 25% e ticket médio de R$ 800/mês. A evasão representa perda financeira potencial de R$ 12 milhões por ano (1.250 alunos × R$ 800 × 12 meses).
Se a instituição consegue identificar 70% dos alunos em risco com antecedência de 30-60 dias e reter 50% desses alunos através de intervenções personalizadas, a economia anual é de aproximadamente R$ 4,2 milhões. Mesmo descontando custos de implementação de sistemas de monitoramento e equipe de intervenção, o retorno financeiro é significativo.
Mas o impacto vai além do financeiro. Cada aluno retido é uma história de sucesso educacional, uma contribuição para indicadores institucionais, uma reputação fortalecida e um potencial egresso que pode se tornar embaixador da instituição.
3 Métodos Comprovados para Identificar Evasão Precocemente
Existem basicamente três abordagens para implementar identificação sistemática de evasão, cada uma com vantagens, limitações e adequação a diferentes contextos institucionais.
Método 1 – Monitoramento Manual com Planilhas
Esta é a abordagem mais comum em instituições que estão começando a estruturar processos de retenção. Consiste em:
- Planilhas compartilhadas onde coordenadores e professores registram observações sobre alunos
- Reuniões periódicas (quinzenais ou mensais) de comitê de retenção para análise de casos
- Distribuição manual de alertas para acompanhamento individual
Vantagens:
- Baixo custo de implementação
- Não requer tecnologia especializada
- Permite discussão qualitativa de casos complexos
Limitações:
- Altamente dependente da disciplina de professores em registrar informações
- Difícil de escalar além de 500-1.000 alunos
- Subjetividade nas avaliações (um professor pode considerar normal o que outro vê como risco)
- Informações fragmentadas e desatualizadas
- Identificação tardia (geralmente quando múltiplos sinais já são óbvios)
Este método funciona razoavelmente em cursos pequenos com equipe docente muito integrada, mas se mostra insuficiente em instituições de médio e grande porte.
Método 2 – Sistemas de Early Warning (Alerta Precoce)
Evolução do método manual, estes sistemas automatizam a coleta de dados e criam dashboards com indicadores de risco:
- Integração com sistemas acadêmicos (notas, frequência), financeiros (inadimplência) e AVA (acessos)
- Cálculo automático de indicadores de risco por aluno
- Alertas automáticos quando múltiplos indicadores ultrapassam limites pré-definidos
- Distribuição de casos para equipe de intervenção via workflow
Vantagens:
- Monitoramento contínuo sem depender de disciplina manual
- Escalável para milhares de alunos
- Padronização de critérios de risco
- Identificação mais rápida (semanal ou diária)
Limitações:
- Requer integração com múltiplos sistemas institucionais
- Regras fixas podem gerar falsos positivos ou negativos
- Dificuldade em capturar padrões complexos ou interações entre variáveis
- Necessita ajuste fino de parâmetros para cada contexto institucional
Sistemas de early warning para educação superior representam um avanço significativo e são adequados para a maioria das IES que já têm infraestrutura tecnológica básica.
Método 3 – Inteligência Artificial Preditiva
A fronteira mais avançada utiliza algoritmos de machine learning treinados especificamente no histórico da instituição:
- Análise de milhares de variáveis simultaneamente (incluindo interações entre elas)
- Identificação de padrões complexos invisíveis a regras simples
- Predição probabilística individual (não apenas categorização risco alto/médio/baixo)
- Aprendizado contínuo com feedback sobre acurácia das predições
- Antecedência de 30-60 dias com precisão acima de 80%
Vantagens:
- Máxima precisão preditiva
- Captura padrões únicos de cada instituição (perfil de alunos, características do curso)
- Score individualizado permite priorização eficiente de recursos
- Melhora continuamente conforme acumula dados
Limitações:
- Requer histórico mínimo de dados (idealmente 2-3 anos)
- Custo inicial de implementação mais elevado
- Necessita expertise para interpretar e agir sobre as predições
Plataformas como a eLabi utilizam essa abordagem, treinando modelos de IA especificamente com os dados de cada instituição para capturar suas particularidades e gerar alertas com alta antecedência e precisão.
Comparação dos Métodos
| Método | Antecedência Média | Precisão | Escalabilidade | Investimento Inicial |
|---|---|---|---|---|
| Planilhas Manuais | 7-15 dias | 40-60% | Baixa (< 1.000 alunos) | Muito Baixo |
| Early Warning | 15-30 dias | 60-75% | Média (até 10.000 alunos) | Médio |
| IA Preditiva | 30-60 dias | 75-90% | Alta (ilimitada) | Médio-Alto |
A escolha do método ideal depende do porte da instituição, maturidade tecnológica e recursos disponíveis. Muitas IES começam com planilhas, evoluem para early warning e posteriormente adotam IA preditiva conforme ganham experiência e veem o ROI da retenção.
Passo a Passo: Como Criar seu Sistema para Identificar Evasão
Independente do método escolhido, alguns passos fundamentais garantem que o sistema seja efetivo:
1. Defina quais dados você já coleta
Faça um levantamento dos sistemas existentes e quais informações sobre alunos já estão disponíveis:
- Sistema acadêmico: notas, frequência, trancamentos
- Sistema financeiro: inadimplência, bolsas, negociações
- AVA/Moodle: acessos, interações, entregas
- CRM/Ouvidoria: solicitações, reclamações, contatos
Comece com os dados que você já tem. Não espere ter 100% das informações ideais para iniciar o monitoramento.
2. Estabeleça seus indicadores críticos
Dos 15 sinais apresentados neste artigo, escolha 5-7 que são mais relevantes para seu contexto específico e que você consegue monitorar com os dados disponíveis. Priorize indicadores que:
- São mensuráveis objetivamente
- Atualizam com frequência suficiente (no mínimo semanalmente)
- Têm histórico que permite estabelecer padrões
3. Crie um protocolo de monitoramento
Determine:
- Com que frequência os dados serão atualizados (diário, semanal, quinzenal)
- Quem é responsável por revisar cada tipo de indicador
- Como as informações serão consolidadas
- Quem tem autoridade para classificar um aluno em risco
4. Defina gatilhos de alerta
Estabeleça critérios claros para acionar investigação mais profunda:
- Queda de X% na frequência em Y semanas
- Nota abaixo de Z em duas avaliações consecutivas
- Inadimplência superior a W dias
- Redução de acessos ao AVA acima de V%
Seja específico. “Queda na frequência” é vago. “Frequência abaixo de 75% por três semanas consecutivas quando a média anterior era 90%” é acionável.
5. Estruture o fluxo de intervenção
A identificação sem intervenção não tem valor. Defina:
- Quem entra em contato com o aluno (coordenador, tutor, setor de atendimento)
- Em quanto tempo após o alerta
- Qual abordagem inicial (e-mail, ligação, encontro presencial)
- Quais recursos podem ser mobilizados (apoio psicopedagógico, renegociação financeira, tutoria)
6. Meça e ajuste continuamente
Monitore:
- Taxa de falsos positivos (alunos identificados em risco que não evadiram)
- Taxa de falsos negativos (alunos que evadiram sem alerta prévio)
- Tempo médio entre alerta e primeira intervenção
- Taxa de sucesso das intervenções por tipo de risco
Use esses dados para refinar continuamente seus indicadores e processos.
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Como a Tecnologia Pode Ajudar na Identificação Precoce
A transformação digital da educação trouxe ferramentas poderosas para identificar evasão antes que ela aconteça. Sistemas baseados em inteligência artificial conseguem processar dezenas de variáveis simultaneamente, identificando padrões sutis que seriam impossíveis de detectar manualmente.
A principal vantagem da abordagem tecnológica é a capacidade de predição, não apenas de detecção. Enquanto sistemas manuais identificam problemas quando eles já estão manifestos, algoritmos de machine learning conseguem antecipar riscos analisando mudanças micro comportamentais ao longo do tempo. Saber como identificar evasão com antecedência transforma a gestão de retenção.
Benefícios concretos da automação:
- Antecedência real: Predição de 30-60 dias permite intervenções preventivas, não reativas
- Precisão individualizada: Score de risco por aluno, não apenas categorias genéricas
- Eficiência de recursos: Priorização automática permite focar nos casos de maior risco e maior probabilidade de sucesso
- ROI mensurável: Dashboards executivos mostram impacto financeiro de cada aluno retido
Plataformas como a eLabi oferecem essa capacidade preditiva integrada nativamente ao Moodle, processando automaticamente dados acadêmicos, comportamentais e de engajamento para gerar alertas personalizados. O diferencial está no treinamento da IA especificamente com os dados históricos de cada instituição, capturando as particularidades do perfil de alunos, características dos cursos e contexto regional.
O resultado é um sistema que não apenas identifica quem está em risco, mas prevê quando o risco vai se materializar e sugere quais intervenções têm maior probabilidade de sucesso com base em casos anteriores similares.
Conclusão: Da Identificação à Ação
Identificar evasão silenciosa antes que ela se concretize é o primeiro passo crítico para construir uma estratégia efetiva de retenção estudantil. Como vimos ao longo deste artigo, três elementos são fundamentais para identificar evasão com sucesso:
- Atenção aos sinais corretos: Os 15 indicadores comportamentais, acadêmicos e administrativos formam um sistema de alerta precoce quando monitorados de forma integrada
- Antecedência suficiente: A janela de 30-60 dias não é luxo, é necessidade para intervenções genuinamente efetivas
- Sistematização do processo: Identificação ocasional não funciona; é preciso transformar o monitoramento em processo contínuo e estruturado
A boa notícia é que você não precisa implementar tudo de uma vez. Comece identificando quais dados sua instituição já coleta, escolha 5-7 indicadores prioritários e estabeleça um protocolo simples de monitoramento. A evolução de planilhas manuais para sistemas automatizados pode ser gradual, conforme você comprova o valor da abordagem preditiva.
O investimento em identificação precoce não é apenas financeiro, é estratégico. Cada aluno retido representa não apenas receita preservada, mas também uma história de sucesso que fortalece a reputação institucional e contribui para os objetivos educacionais mais amplos.
Próximo passo: Que tal começar hoje mesmo? Baixe nosso checklist gratuito com os 50 principais sinais de evasão e inicie o mapeamento na sua instituição.
E você, quais sinais tem observado com mais frequência antes de um aluno evadir? Compartilhe sua experiência nos comentários.
Perguntas Frequentes sobre Identificação de Evasão
Quanto tempo antes é possível identificar que um aluno vai evasir?
Com sistemas de monitoramento adequados, é possível identificar sinais de risco com antecedência de 30 a 60 dias antes do cancelamento efetivo da matrícula. Métodos manuais geralmente conseguem antecedência de apenas 7 a 15 dias, enquanto sistemas baseados em inteligência artificial treinados especificamente para o perfil da instituição conseguem predições com até 90 dias de antecedência mantendo precisão acima de 80%.
Quais são os 3 sinais mais importantes de evasão silenciosa?
Os três indicadores com maior poder preditivo quando observados em conjunto são: (1) queda progressiva na frequência, especialmente quando o padrão anterior era de alta presença; (2) declínio gradual nas notas ao longo de múltiplas avaliações, não reprovação pontual; e (3) inadimplência financeira recorrente ou crescente. A combinação desses três sinais mantida por período de 30 dias ou mais apresenta precisão preditiva superior a 80% em estudos de retenção estudantil.
Planilhas são suficientes para identificar evasão precocemente?
Planilhas podem funcionar como ponto de partida para instituições pequenas (até 500-1.000 alunos) com equipe muito integrada e disciplinada no registro de informações. No entanto, apresentam limitações importantes: dependem da disciplina manual de professores, têm dificuldade em identificar padrões complexos, geram alta taxa de subjetividade e geralmente só conseguem detectar riscos óbvios com pouca antecedência (7-15 dias). Para identificação verdadeiramente precoce (30-60 dias) e em escala, sistemas automatizados ou baseados em IA são necessários.
Como diferenciar dificuldade temporária de risco real de evasão?
A diferença fundamental está na persistência e na combinação de sinais. Dificuldades temporárias são eventos isolados: uma nota baixa em uma prova específica, faltas concentradas em uma semana por doença, um atraso pontual de pagamento. Risco real de evasão manifesta-se como padrão persistente ao longo de 3-4 semanas ou mais: quedas progressivas em múltiplos indicadores simultaneamente (frequência + notas + engajamento), sem recuperação após intervenções iniciais. Monitore a trajetória ao longo do tempo, não snapshots isolados.
Um aluno com boas notas pode estar em risco de evasão?
Sim, definitivamente. Embora desempenho acadêmico seja um indicador importante, evasão é fenômeno multifatorial. Um aluno pode manter notas razoáveis mas demonstrar desengajamento crescente através de isolamento social, redução de acessos ao AVA, não participação em atividades extracurriculares ou inadimplência financeira. Esses sinais comportamentais e administrativos frequentemente precedem a queda acadêmica e devem ser monitorados com igual atenção, especialmente quando múltiplos deles aparecem simultaneamente.
Qual a diferença entre early warning system e IA preditiva?
Early warning systems (sistemas de alerta precoce) funcionam com regras fixas pré-definidas: se frequência < 75% E nota < 6,0 ENTÃO alerta. São eficazes mas limitados a padrões simples e geram muitos falsos positivos. IA preditiva usa machine learning para identificar padrões complexos em centenas de variáveis simultaneamente, incluindo interações não-óbvias entre elas, e aprende continuamente com feedback. Consegue antecedência maior (30-60 dias vs 15-30 dias) e precisão superior (75-90% vs 60-75%) porque detecta mudanças micro comportamentais que precedem manifestações óbvias de risco.
Sobre a eLabi
A eLabi é uma plataforma de inteligência artificial que prediz risco de evasão estudantil com 30-60 dias de antecedência e automatiza intervenções personalizadas. Com integração nativa ao Moodle e presença em mais de 80 mil alunos de instituições parceiras, combina predição precisa com dashboards executivos que demonstram o impacto financeiro real da retenção.
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Referências:
- INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo da Educação Superior 2023.
- ABMES – Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior. Estudos sobre Evasão e Retenção no Ensino Superior Privado (2024).
- Tinto, V. (2012). Completing College: Rethinking Institutional Action. University of Chicago Press.
- Seidman, A. (2005). College Student Retention: Formula for Student Success. Praeger Publishers.